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A Equação da Ansiedade de Paul Salkovskis

  • Foto do escritor: Criz Queiroz
    Criz Queiroz
  • 17 de out. de 2017
  • 3 min de leitura

Atualizado: 8 de jan.

O que aprendi com Paul Salkovskis no Congresso de Terapia Cognitiva


Olá a todos. Sei que muitos gostariam que eu abordasse outros temas, mas há um assunto que precisa, urgentemente, ser compreendido com mais profundidade.


De acordo com um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre depressão e transtornos de ansiedade, o Brasil ocupa o topo da lista mundial em prevalência de transtornos de ansiedade: 9,3% da população, um índice três vezes maior que a média global. As mulheres são as mais afetadas, seguindo uma tendência mundial, e fatores socioeconômicos também exercem influência significativa nesse cenário.


Diante desses dados, quero compartilhar um aprendizado valioso que tive em agosto de 2017, ao conhecer Paul Salkovskis durante um congresso de Terapia Cognitiva em Porto Alegre.





A Equação da Ansiedade


De forma brilhante, Salkovskis apresentou aquilo que chamou de “Equação da Ansiedade”, explicando como diferentes fatores cognitivos, em conjunto, produzem a resposta ansiosa.


A equação é composta por quatro elementos:


Probabilidade estimada do evento temido (0% a 100%) x Grau de aversão caso o evento ocorra (0% a 100%)

———————————————————————————

Possibilidade estimada de enfrentamento (0% a 100%) + Possibilidade estimada de resgate (0% a 100%)


Ou seja, quanto maior o perigo percebido e menor a percepção de enfrentamento e ajuda, maior será a ansiedade.


Um exemplo prático da equação


Vamos imaginar o seguinte pensamento ansioso:


“Vou passar mal no ônibus.”


  • Probabilidade percebida: 80%

  • Grau de aversão: 100%


Dividido por:


  • Capacidade de enfrentamento percebida: 10%

  • Possibilidade de alguém ajudar: 5%


O resultado dessa equação é uma ansiedade extremamente elevada, pois os perigos são superestimados e as capacidades pessoais e sociais, subestimadas.



Como modificar essa equação na prática


A boa notícia é que essa equação pode ser alterada e é exatamente isso que fazemos no processo terapêutico.


Reduzindo a probabilidade percebida: entendendo a hiperventilação


Um dos fatores que mantém o medo de “passar mal” é a hiperventilação, frequentemente confundida com algo perigoso.


A hiperventilação ocorre quando a pessoa respira de forma rápida e profunda, eliminando mais dióxido de carbono do que o corpo precisa. Esse desequilíbrio pode causar sintomas como:


  • Tontura

  • Formigamento nos dedos

  • Sensação de desmaio

  • Aperto no peito


Essas sensações não são perigosas, mas costumam ser interpretadas como sinais de algo grave, o que alimenta o ciclo da ansiedade.



Estratégias simples para interromper a hiperventilação


Ao compreender esse mecanismo, o paciente pode utilizar técnicas como:


  • Respiração com os lábios franzidos

  • Respiração diafragmática (respirar com a barriga, não com o peito)

  • Respiração em saco de papel ou com as mãos em concha

  • Respiração alternada pelas narinas


Essas estratégias ajudam a normalizar os níveis de dióxido de carbono e reduzem rapidamente os sintomas físicos.


Com isso, surge a pergunta: a probabilidade de “passar mal” continua sendo 80%?



Diminuindo o grau de aversão


Quando o paciente entende que as sensações físicas não indicam uma catástrofe, mas apenas excitação fisiológica, o grau de aversão também tende a cair.


O medo não é do evento em si, mas das sensações corporais e elas são manejáveis.



Aumentando a percepção de enfrentamento e resgate


Outro ponto fundamental é ampliar a percepção de ajuda possível:


  • Posso ligar para alguém de confiança?

  • Posso combinar um código com alguém próximo?

  • Há motorista, cobrador e outras pessoas preparadas para ajudar?


A realidade é que raramente estamos sozinhos, mas a ansiedade nos faz esquecer disso.


Ao reconhecer essas possibilidades, tanto a capacidade de enfrentamento quanto a possibilidade de resgate aumentam, reduzindo drasticamente o resultado final da equação.



O que a Equação da Ansiedade nos ensina


A Equação de Paul Salkovskis deixa claro algo essencial:


Pessoas ansiosas tendem a supervalorizar os perigos e subestimar suas capacidades e recursos.


Quando ajustamos essas percepções, a ansiedade perde força e o senso de controle aumenta.



Espero que esse conteúdo ajude você a compreender melhor seus processos internos e a olhar para a ansiedade com mais clareza e gentileza.


Um forte abraço.

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