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Eu quero ter um milhão de amigos…

  • Foto do escritor: Criz Queiroz
    Criz Queiroz
  • 18 de dez. de 2018
  • 3 min de leitura

Atualizado: há 6 dias

Transtorno de Ansiedade Social (Fobia Social)


No artigo anterior, propus uma atividade de observação dos pensamentos automáticos diante de interações sociais. Agora, a pergunta é: quais pressupostos surgiram quando você pensou em se expor socialmente?


Pensamentos sobre como deveríamos ou não deveríamos nos comportar costumam acionar um alerta no cérebro, como se estivéssemos diante de um perigo real. Isso acontece porque, na maioria das vezes, esses pensamentos são baseados em pressupostos irreais e inalcançáveis, como:


“Eu tenho que agradar todo mundo.”

Esse é um pensamento comum e extremamente desgastante. Afinal, agradar a todos é impossível. Talvez apenas o Roberto Carlos tenha conseguido ter “um milhão de amigos”… e ainda assim, não sabemos se agradou todos eles.





A armadilha de tentar agradar todo mundo


Quando tentamos agradar a todos, caímos em uma armadilha emocional. Pense comigo:


  • O que agrada você?

  • O que agrada sua mãe?

  • O que agrada sua sogra?

  • O que agrada seu chefe?


A resposta é simples: não dá para saber.


Não existe uma fórmula universal de comportamento social que funcione para todas as pessoas. Uma alternativa muito mais saudável é perguntar:


  • Como você gosta de ser tratado?

  • O que te incomoda?

  • Quais limites são importantes para você?


Perguntar, dialogar e ajustar expectativas é muito mais eficaz do que tentar adivinhar o que o outro espera. E mesmo assim, ainda podemos errar ou simplesmente não querer atender a determinadas expectativas. Nessas horas, o bom senso ajuda e, se necessário, vale perguntar se algo que foi dito ou feito soou inadequado.



Quando o medo do julgamento vira ameaça


Outro ponto muito frequente na ansiedade social é o medo de sinais físicos serem percebidos, como:


“Quando falo em público, fico vermelha.”

Esse pensamento costuma vir acompanhado de outros pressupostos:


  • “Todos vão perceber.”

  • “Vão achar que estou nervosa.”

  • “Serei ridicularizada.”


A partir disso, a situação social passa a ser vista como ameaçadora, e a fuga parece a melhor solução.


O problema é que, ao tentar fugir ou esconder algo que não pode ser controlado, entramos em um ciclo ainda mais intenso de ansiedade.



Por que tentar esconder a vermelhidão piora tudo?


Vamos a um exemplo simples:Uma mulher grávida de nove meses, esperando trigêmeos, consegue esconder a barriga?A resposta é não.


Com a vermelhidão acontece algo semelhante. Quando tentamos escondê-la, damos ainda mais atenção ao problema, o que intensifica a reação fisiológica.


A vermelhidão facial, na maioria dos casos, é uma resposta natural do corpo ao nervosismo, à vergonha ou à raiva. O estresse ativa o sistema nervoso autônomo, que provoca a dilatação dos vasos sanguíneos, deixando o rosto quente e avermelhado, o chamado rubor facial.


Quanto mais a pessoa tenta evitar ou controlar esse processo, mais ansiosa fica e mais intensa tende a ser a reação.



Mudar o foco: uma estratégia fundamental


E se, em vez de lutar contra a vermelhidão, você mudasse o foco da atenção?


Por exemplo:


  • Em uma reunião, concentre-se na pauta.

  • Anote os pontos principais.

  • Preste atenção no que está sendo dito.

  • Participe da conversa.


Encare a vermelhidão como apenas “mais um participante da reunião”, e escolha conscientemente onde colocar sua atenção.


O resultado costuma ser:


  • Melhor desempenho profissional

  • Menor autocobrança

  • Redução gradual da intensidade dos sintomas físicos



Exercício prático: hierarquia de exposição


Para dar continuidade ao trabalho, proponho um exercício prático:


  1. Faça uma lista de situações sociais.

  2. Comece pelas menos desconfortáveis (ex.: estar com amigos próximos).

  3. Avance gradualmente até as mais aversivas (ex.: apresentar resultados para a diretoria).

  4. Para cada situação, identifique o desconforto principal (ex.: ficar vermelha, tremer, gaguejar).


Com essa lista pronta, iniciaremos a prática pela situação de menor desconforto, avançando passo a passo.


No próximo artigo, daremos continuidade a esse processo.


Um forte abraço e sucesso a todos.

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