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Não somos o que sentimos ou pensamos: compreendendo a ansiedade

  • Foto do escritor: Criz Queiroz
    Criz Queiroz
  • 4 de abr. de 2017
  • 2 min de leitura

A ansiedade é uma experiência humana universal. No entanto, quando se torna intensa, persistente e desproporcional, pode gerar sofrimento significativo. Um ponto central no trabalho clínico — especialmente dentro da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) — é ajudar a pessoa a compreender que não somos o que sentimos e não somos o que pensamos.


Pensamentos e emoções são eventos mentais, não definições da nossa identidade nem da realidade.





Como a ansiedade funciona segundo a TCC


De acordo com o modelo cognitivo proposto por Paul Salkovskis, pessoas com ansiedade clínica tendem a realizar, de forma automática, dois tipos principais de avaliações diante das situações da vida:


1. Superestimação do perigo


A pessoa ansiosa costuma avaliar uma situação como mais perigosa ou ameaçadora do que ela realmente é. Mesmo experiências ambíguas passam a ser interpretadas como riscos iminentes.


2. Subestimação da capacidade de enfrentamento


Ao mesmo tempo, há uma crença de que não será capaz de lidar com a situação, superar dificuldades ou tolerar possíveis consequências.


Essa combinação — ameaça exagerada + autoconfiança reduzida — cria o terreno perfeito para a ansiedade se manter.



O papel da interpretação distorcida


Segundo Salkovskis, Hawton, Kirk e Clark (1997), pessoas ansiosas tendem a interpretar os fatos de forma distorcida, especialmente quando eles são ambíguos. O cérebro passa a funcionar em modo de hipervigilância, com um limiar muito baixo para detectar possíveis ameaças.


É como se a mente estivesse constantemente “sintonizada” em um canal de perigo: tudo que passa por esse filtro parece mais ameaçador do que realmente é.



Ansiedade normal x ansiedade clínica


A ansiedade, em sua forma natural, é uma resposta adaptativa diante de um perigo real e tende a diminuir quando a ameaça desaparece.


Já a ansiedade clínica é diferente:


  • É desproporcional ao risco real

  • Persiste mesmo quando o perigo não existe ou já passou

  • Ativa respostas emocionais, comportamentais e fisiológicas intensas


Entre essas respostas, podem surgir:


  • Taquicardia

  • Sudorese

  • Tremores

  • Tensão muscular

  • Evitação de situações

  • Necessidade constante de controle


O corpo reage como se o perigo fosse tão grave quanto a mente acredita, mesmo quando não é.



Tipos de ameaça percebida na ansiedade


As ameaças interpretadas pelo cérebro ansioso podem assumir diferentes formas:


  • Física: medo de sofrer danos ou adoecer

  • Social: medo de julgamento, rejeição ou humilhação

  • Mental: medo de perder o controle, “enlouquecer” ou não dar conta emocionalmente


Em todos os casos, o ponto central é o mesmo: o pensamento parece verdadeiro, mas não é um fato.



O caminho terapêutico


No processo terapêutico, o trabalho consiste em:


  • Identificar esses pensamentos automáticos

  • Questionar suas evidências

  • Desenvolver interpretações mais realistas

  • Fortalecer a percepção de capacidade de enfrentamento


Aprender a diferenciar pensamentos de fatos é um passo essencial para reduzir o impacto da ansiedade e recuperar autonomia emocional.



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Um forte abraço.

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