Síndrome da Cabana: quando o medo de sair parece maior que a vontade de viver
- Criz Queiroz
- 7 de mai. de 2020
- 2 min de leitura
Faz um tempo que não escrevo — não por falta de amor pela escrita, pois eu realmente amo, mas porque a vida corrida, muitas vezes, empurra algumas coisas importantes para o segundo plano.
Hoje, quero falar sobre um tema extremamente atual e necessário. Na verdade, sobre um “velho amigo” que retorna em momentos de crise: o medo. E junto com ele, o nosso cérebro, sempre pronto para nos proteger com respostas milenares diante de sinais de perigo, sejam eles reais ou apenas percebidos como tal.

O que é a Síndrome da Cabana?
A Síndrome da Cabana surge, principalmente, após períodos prolongados de afastamento social. Ela está associada a:
medo de se contagiar,
medo de perdas familiares,
insegurança diante do retorno à vida social,
dificuldade de abandonar o que passou a ser percebido como “lugar seguro”: a casa.
Nosso cérebro aprende rapidamente. Quando passamos muito tempo em isolamento, ele associa o ambiente externo ao perigo e o ambiente interno à segurança.
Principais sintomas da Síndrome da Cabana
O medo de sair de casa pode se manifestar de diversas formas, entre elas:
alteração do sono,
dificuldade de concentração,
aumento da ansiedade,
falta de motivação,
medo intenso de retomar a “vida normal”,
evitação de ambientes externos.
É importante lembrar: a mente é livre e, quando está em modo de ameaça, ela tende a focar exclusivamente nos perigos ao redor.
Em situações percebidas como perigosas, há uma tendência natural de nos recolhermos “dentro da cabana”, buscando proteção e controle.
O papel do cérebro e do medo
O medo não é o vilão. Ele existe para nos proteger. O problema surge quando o cérebro superestima os perigos e subestima nossa capacidade de enfrentamento, mantendo-nos presos em um estado constante de alerta.
Quando isso acontece, a evitação passa a reforçar o medo e quanto menos saímos, mais difícil parece sair.
O que pode ajudar a sair da “cabana”?
Algumas estratégias iniciais podem auxiliar nesse processo:
Focar no que está sob seu controle, não no que foge dele;
Separar momentos do dia para respiração consciente, o que ajuda a reduzir a ativação fisiológica e traz sensação de controle;
Buscar e listar certezas reais, em vez de cenários catastróficos;
Escrever:
como você deseja que sua vida seja,
como quer atravessar essa fase,
o que ainda te motiva, mesmo em pequenos passos.
Pequenos movimentos constroem grandes mudanças.
Quando é hora de buscar ajuda profissional?
Cada pessoa tem o seu próprio “semáforo interno”. Ainda assim, alguns sinais indicam que o sinal vermelho pode estar aceso, como:
sono persistentemente ruim,
irritabilidade intensa,
taquicardia frequente,
culpa excessiva direcionada a si ou aos outros,
sensação de “visão de túnel” (dificuldade de enxergar alternativas),
pensamentos recorrentes de que “não há o que fazer”.
Nesses casos, buscar um profissional especializado é um passo de cuidado, não de fraqueza.
Para refletir
Que tal começar focando nas certezas, no que você já tem e em projetos realistas para, pouco a pouco, sair da cabana?
O caminho é possível e não precisa ser percorrido sozinho.


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